segunda-feira, 19 de outubro de 2015


RUA MARIA PIA


Hoje, convido-vos a subir a Rua Maria Pia, no extremo Oeste de Campo de Ourique, na nossa alfacinha cidade de Lisboa.

As edificações são, em boa parte, casas térreas, muitas delas devolutas e, mesmo, em estado de ruína, ou quase.

O estado geral das construções é paupérrimo, como podemos constatar, por exemplo, através da observação das traseiras deste pequeno conjunto.

Mas percorramos, metodicamente, a artéria, onde o pequeno comércio local se mistura, ainda, com o tráfico de estupefacientes e sabe-se lá que mais.

Preparemo-nos para um calvário longo, monótono, de edifícios indiferenciados, sem graça, sem histórias para contar.





Logo ao deixar para trás Alcântara Terra,
dão claros sinais de estar devolutos os armazéns sitos no 12 e no 16.









Um pouco acima, morre, aos poucos, o 24 e, depois dele, o 32, térreo.


Diz-se que este muro, à mão direita de quem sobe, foi reparado recentemente.

Quem diria...




À mão esquerda, onde não há casas, há disto.
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Mas ainda bem que acabaram com as barracas na Maria Pia...









Do outro lado da rua, um carro à porta e alguma roupa a secar numa janela do rés-do-chão não chegam para negar que o 48 se encontra devoluto.  Ou quase... --------->

Também um carro à porta do 163 nos diz que poderia estar ocupado.  No entanto, o que, das traseiras, é possível ver da rua, sugere, claramente, o contrário. ↓





171, 173...  outras casas, outro carro, a mesma história.

Ou nem tanto:  aqui, pelo menos, existe um projeto... em fase de apreciação desde 2009.






Do outro lado da rua, o 74 a 82.  À venda.  Vazio, ao que parece.  Vazio, também o 84, logo a seguir.

Não são só as casas térreas, que, na Rua Maria Pia, vão ficando para ali...


Atravessando a rua, o 231.
Mesmo o 229, enfim, sabe-se lá...
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Já devem, também, ter notado o cuidado com que é fiscalizado o estacionamento numa rua estreita, onde passam autocarros...



146, 172 a 176, 236 a 240...
Quanto a imóveis devolutos, a Rua Maria Pia parece uma interminável sequência de números,
que quase dispensa palavras.

Algo diferente, aqui.

No entroncamento com a Estrada dos Prazeres, junto a um chafariz desolado e seco que alguém decorou com uma garrafa de cerveja vazia, fui abordado por uma pessoa dos seus trinta e muitos, parcialmente desdentada, a cuspir, enquanto falava, os restos de um pão com queijo, que me atirou:  «Qu'é que queres, pá?  "Meias brancas"? Hoje tá tudo fechado!».


Este bloco talvez comece no 284.  Ou talvez não.  Os números de porta não abundam, nestas paragens...

O cor-de-rosa, um pouco mais para cima, também não tem número.  Mas está devoluto.  Ou parece.

Aqui, nada se sabe ao certo.  Poucos cadeados há nos prédios devolutos.  Guiemo-nos, tanto quanto possível, pelas cortinas nas janelas.  As que ainda não tiver rasgado o tempo.


Aqui, mais um animador aspeto do outro lado da tal rua onde já não há barracas... ---------->


O 385, do mesmo lado, um pouco acima ↓













O prédio quatrocentos e picos, onde terá funcionado uma coletividade...
Logo ao lado, o 413, o 415 e um pequeno baldio.
Do outro lado da rua, igual a tantos outros,
o 292 a 296.
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Sem carros mal estacionados à porta,
o que não deixa de surpreender.
A este bloco, em contrapartida, não faltam carros mal estacionados
Não tem é um único número de porta.
↓ Começa, presumivelmente, no 423, do lado esquerdo de quem sobe. 
Notem, também, o estado das traseiras... que, como já vimos,
na Rua Maria Pia, não é exceção.

Segue-se um baldio - de dimensões consideráveis, para aquelas paragens -,
o 429, à venda, e... novo baldio, embora mais modesto do que o anterior.
Continuaemos a subir, aproximando-nos do termo de uma rua com um nome histórico,
mas sem grande história que dela se possa contar.
Este prédio é o 541 a 549, mas só fiquei a saber os números das portas através do Edital 397/UITCH/DCHCOL/2015, de 24 de Fevereiro, que convida à audiência prévia dos interessados quanto a uma intenção de intimar a obras de... demolição. 
Vendo o perfil do edifício, não será difícil, a um leigo, adivinhar a razão...  e interrogarmo-nos sobre o motivo pelo qual ainda vamos na fase de audiência prévia.  Essa, é que é, parece-me, a verdadeira questão.


Está vazio, há muito tempo há venda, o prédio que começa no 564, na esquina com a Rua de Campo de Ourique.
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Mais dois, já perto do Alto do Carvalhão, só para rematar. 

Maria Pia.
Um nome nobre, numa rua torta de uma zona pobre de Lisboa.
Como investimento, interessa a ninguém.
Só mesmo quando algo ameaça ruir, alguém, para lá, se digna olhar.


O mais do quadro desapareceu, sob uma nódoa de tinta escura.
Foi o esquecimento que entornou aquela tinta.
Teixeira de Pascoaes



Nota:  as imagens aqui apresentadas foram obtidas entre 03 e 31 de Agosto de 2015




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6 comentários:

  1. Adorei! Um registro importante e necessário para o patrimônio construído.

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  2. A RUA Maria pia é uma dás ruas. Ágora Mais bem frequentada. e Mais.caros OS imóveis.

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  3. Acredito.
    Talvez por isso mesmo os imóveis se encontrem no estado em que estão: de tão caros, ninguém consegue adquiri-los para os recuperar... Será ?
    Obrigado pela sua colaboração.

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