segunda-feira, 11 de dezembro de 2017


A Tortura dos Sopradores


Com o avançar do Outono aparecem, por quase toda a Lisboa, estes ensurdecedores aparelhinhos, despudorados atentados ambientais da responsabilidade de algumas juntas de freguesia, "justificados" pela necessidade de remover as folhas secas de cima do pavimento das ruas, praças e avenidas.

Estafermos mecânicos infernais, não nos deixam trabalhar, não nos deixam dormir, não nos deixam repousar, fazendo-nos recordar, com nostalgia, o tempo das clássicas vassourinhas.

Não só não se pode ter uma janela aberta em casa, como, mesmo com vidros duplos, essas "coisas" continuam a massacrar-nos, impedosamente, os ouvidos.  E, claro está, se interpelamos algum dos operadores pedindo contenção nas "aceleradelas" ou respeito pelo horário de descanso, apenas ouvimos um lacónico "estamos a trabalhar!...".  E estão.

Quem tenha a desventura de trabalhar ou morar perto de um jardim alfacinha, está mesmo bem arranjado:  a varridela mecânica arrasta-se, por vezes, horas a fio, muitas vezes fazendo coro com outros instrumentos de tortura auditiva, como aparadores de relva e afins, que "berram" em uníssono com os sopradores, numa desafinada cacofonia saída de equipamentos que, em princípio, serviriam, apenas, para limpar.  Sem poluir...

Só mesmo a inércia e o baixar de braços dos lisboetas - já mais que desanimados perante o triste desempenho das autarquias em praticamente todas as vertentes da sua atividade - permitem que continuem a sujeitar-se, impávidos e serenos, a esta tortura ruidosa e penetrante, quais escapes abertos de motocicletas, que nos entram pelos ouvidos, quantas vezes até ao Sábado, às primeiras horas da manhã!

Seremos uma terrinha de parolos, para estarmos, passivamente, sujeitos a monstruosidades já banidas em diversas cidades lá fora, por produzirem poluição sonora manifestamente muito além dos níveis máximos permitidos pela legislação comunitária?

Porque a verdade é que, se é proibido aos veículos motorizados, produzir níveis de ruído acima de determinados limites fixados na lei, não se entende como pode a Câmara Municipal - a quem compete a fiscalização dos níveis de ruído - deixar passar, incólume, uma manifesta infração ao Regulamento Geral do Ruído, que obriga, indistintamente, o Estado e os particulares.  E acima da lei não estão, seguramente, os responsáveis pela limpeza urbana:  as juntas e freguesia.

Assim, lá vamos assistindo, pelo menos nas freguesias ambientalmente mais retrógradas, ao desfilar de "bufadores de folhas" que incomodam muito mais do que uma "125" de escape aberto, a acelerar.  Ainda para mais, ao fim de semana...

Saliente-se, também, que o simples facto de as folhas serem "sopradas" com aquela potência toda, faz descolar do solo todo o tipo de poeiras, detritos e produtos químicos que vão, direitinhos, infestar o sistema respiratório dos infelizes transeuntes - humanos e de quatro patas - que passam por perto, e conspurcar os automóveis e qualquer objeto ou construção que se encontre no raio de alguns metros.

Notável, também, não deixa de ser o "sofisticado" sistema de alimentação destes engenhos:  um bidão de plástico pousado no chão, pronto para que qualquer criança que por ali passe, desprevenida, o entorne... ou aspire ou beba o seu conteúdo, ou brinque, ou nele "lave" as mãos!  Ninguém vê isto, senhores da PSP?  Nunca passaram perto de uma situações aberrantes como esta?  Ou a "Escola Segura" não as contempla?


Pasme-se, também, como as organizações sindicais e as de inspeção das condições de trabalho, tão exigentes em certas coisas, ainda não se interessaram pelo assunto, estando, como está, cientificamente demonstrado que estes níveis de ruído causam danos nos ouvidos desprotegidos de quem utiliza estes sopradores [ veja aqui ].  E muitos dos nossos jardineiros trabalham completamente desprotegidos!...


É verdade que existem juntas de freguesia, porventura mais civilizadas e evoluídas, em que é utilizado outro tipo de equipamento, elétrico, praticamente inaudível e muito mais seguro, como o que a imagem ilustra.

Muito mais eficientes, aliás, já que, em lugar de soprar as folhas, as aspiram, assim reduzindo, substancialmente, os custos operacionais, dispensando o recurso a mais mão de obra para juntar, recolher e ensacar as folhas e a porcaria que os bufadores vão, desajeitadamente, amontoando.

Mas, mesmo que se insista na opção pelo soprador, o certo é que também os há elétricos e silenciosos, assim se evitando esta rotina ambiental de pura barbárie!

Em suma: a utilização de sopradores de folhas a gasolina é, sob todos os aspetos por que a queiramos encarar, ilegal e condenável.

No entanto, por lá continuam, por opção arcaica de algumas, tambem arcaicas, juntas de freguesia, com o beneplácito da Câmara e o fechar de olhos das autoridades.

O que não podemos deixar de nos perguntar é:

se existem, já, equipamentos silenciosos, seguros,
que não causam incómodo,
como é que a Câmara Municipal ainda permite
que os "bufadores de folhas" continuem a poluir, impunemente,
o ambiente da Cidade, cuja qualidade compete à CML monitorizar,
bem como fiscalizar e punir os seus eventuais agressores?




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Alguns Links:

PETIÇÂO PÚBLICA

Soprador do Barulho (YouTube)

Soprador de Folhas (Público)

Avaliação do Nível de Ruído Provocado por Sopradores de 2 e 4 Tempos (artigo científico)

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