segunda-feira, 13 de julho de 2015


CAMPO GRANDE




O mais amplo espaço verde do centro de Lisboa, mostra-nos, ainda, belas esculturas, espalhadas um pouco por toda a sua ampla superfície.


No entanto, a par com um ou outro apontamento de pormenor, a degradação do espaço é constante e quase omnipresente, fazendo-se sentir nas mais diversas vertentes e incidindo sobre praticamente tudo quanto é visível a quem por lá se aventura.




Vias de Circulação e Exercício Físico no Campo Grande

Porventura, o principal requisito para que alguém frequente um qualquer espaço público será a existência de condições, quer para por lá passar, quer para por lá ficar ou deambular.

Todavia, circular pelo Campo Grande requer uma atenção constante às condições do piso, mesmo nas pistas propositadamente implementadas para quem por lá se exercita; e muitos são os que o fazem... ainda.


No piso destinado a ser percorrido a pé a situação é, francamente, preocupante,




e na pista destinada a velocípedes são já bem visíveis as persistentes fissuras que as raízes das árvores provocam, e que por lá vão ficando, sem manutenção ou remédio, até alguém lá acabar por se desequilibrar.






Quanto a exercício fisico, num dos sítios onde alguns senhores que andam à noite e de madrugada pelo Campo Grande costumam entreter-se uns com os outros - e muitos serão, sem dúvida -, existe o que parece ser a etapa número 10 de um qualquer circuito de manutenção.


O equipamento lá vai servindo, pelo menos para os tais senhores se deitarem quando se entretêm uns com os outros nas noites em que não chove - e enquanto a Polícia não passa por lá.


Mas, das outras etapas do circuito, além da número 10, nem se sabe o que é feito.


Ou alguém saberá?




Ainda quanto a exercício, são os cães que estão de parabéns: têm um moderno parque canino, onde podem brincar.

Já tinham um outro parque - mais modesto, é certo. Mas foi desativado, e para ali ficou.


E ninguém se deu, sequer, ao trabalho de limpar as centenas de cócós que por lá ficaram... para recordar.



Chafarizes do Campo Grande


Nos dias quentes, é sempre bom podermos refrescar-nos com a água fresca de um tradicional chafariz, como os há no Campo Grande.



Desde que não incomodemos os pombinhos, claro está.







Para evitar os constantes abusos das pouco desejáveis aves columbinas, alguém se lembrou de dotar os dois chafarizes de pedra de um dispositivo que só os humanos poderiam acionar.


No entanto, num deles, algum humano demasiado cobiçoso de tão atraente engenhoca, não resistiu e, há dias,... levou-a consigo, em vez de, simplesmente, a acionar.




Desde então, nem o tubo cinzento por onde o pombo bebia lá está: apenas a base da engenhoca, e a água a correr à toa; por vezes no meio da porcaria deixada pelos pombinhos, sem que se possa aproveitar.

Ao que parece, a Câmara desistiu dos seus intentos. Ou ninguém terá pensado em instalar uma nova engenhoca no chafariz; mas, talvez, soldada, de forma a que nenhum amigo do alheio se lembre de consigo a levar.


Ou seja: no Campo Grande, pouca água para beber e, como vamos ver, nenhum sítio público onde dela nos possamos livrar.




Sanitários do Campo Grande


Os frequentadores do Campo Grande são seres humanos, como tal sujeitos às necessidades que, regularmente, afetam os seres humanos.


Porém, nessas contingências, nada lhes resta além de recorrer à boa vontade de proprietários dos restaurantes e cafés que consintam em deixá-los utilizar as suas casas de banho.


Sanitários públicos existem, de facto, embora apenas na zona Sul; um deles até bem em frente às modernas instalações da Câmara Municipal de Lisboa.




Mas estes dois - únicos - sanitários encontram-se desativados há vários anos, um deles até com as portas e janelas todas entaipadas, para que não haja equívocos e ninguém consiga lá entrar; outro até há bem pouco tempo estava todo engalanado com decorativos graffiti.


Ora, a verdade é que nem sempre apetece beber um cafezinho como pretexto para ir à casa de banho... e nem semper se pode impedir a Natureza de funcionar.



Por isso, inventivo como é, o passeante alfacinha lá acabou por encontrar uma solução.

Não necessariamente uma solução cívica ou, sequer, higiénica, mas, seguramente, uma solução eficaz.


Afinal, a obra arquitetónica estava mesmo ali a calhar, e mesmo a jeito para o que, numa emergência fisiológica, fosse preciso lá deixar.





Por fim, como era uma vergonha ver aquela obra conspurcada com a "pintura popular", lá acabaram por pintá-la por fora, numa revoada de espalhar tinta que lhes deu no início do Verão.

No entanto, por dentro tudo ficou na mesma, com os fedorentos despojos lá deixados pelo chão, que por lá ficaram; e, com a matéria putrefata, também o odor nauseabundo, que não deixa facilmente o nariz dos incautos que a vão lá visitar.



Quem não acredita, passe por lá hoje ou amanhã, que muitos dos dejetos que vai encontrar hoje no chão são, ainda, os mesmos que, há meses atrás, para lá foram morar.



Os Monos do Campo Grande


Os pintores tiveram ainda outro trabalho: dar umas pinceladas nos criativos graffiti que, durante meses a fio, decoraram os tapumes que procuram, em vão, esconder os dois monstros sagrados do Campo Grande: a outrora Piscina Municipal, e o outrora Centro Comercial Caleidoscópio.


Ao menos, podiam ter pintado os tapumes com uma tinta que mais facilmente os disfarçasse na envolvente. Um verde escuro, um castanho, sei lá.


Mas não: mais branco que o branco não há, e quem, a tomar uma refeição tranquila no restaurante, olhar para o lago, não pode deixar de ver o tapume que chama a atenção para aquele mamarracho cediço e anquilosado que foi, em tempos, um centro comercial, agora envolto num tapume branco com acinzentados remendos, ao qual não há meio de alguém deitar a mão... ou de o arrasar.


Ah, mas a Câmara tem, já, tudo resolvido!


E muito bem, claro está!


É que, segundo a Wikipedia, a Universidade de Lisboa pretende criar no defunto Caleidoscópio um centro académico, um ponto de encontro entre diferentes instituições universitárias, numa obra orçamentada em 2.000.000€, possivelmente a financiar pela Mac Donald's, que, em pleno Jardim do Campo Grande, irá abrir um drive-in!

Porém... "a data de início das obras ainda é uma incógnita", como, na Lisboa desta Câmara Municipal, não poderia deixar de ser.

Por outras palavras: tudo não passará, ainda, de mais um projeto megalómano à moda da Câmara lisboeta; quiçá, um sonho a lembrar... e com que, quando houver eleições, se possa acenar.



Melhor sorte teve, sem dúvida, a Piscina Municipal,
que, diz também a Wikipedia, se encontra encerrada desde 2006.


É que, em 2012, foi assinado um contrato de reabilitação da estrutura com um grupo espanhol, que ficou "responsável pela reabilitação, reequipamento, exploração e gestão comercial do espaço".


Para os amantes da piscina, a Wikipedia até tem, na verdade, ótimas notícias: "As obras devem arrancar no início de 2013 e estar terminadas nos 12 meses seguintes . Um investimento de 6,5 milhões de euros".

Que bom, não é?


Pena estarmos já em 2015 e... tudo como dantes, claro está.

Que responsabilidade pelo "atraso" terá assumido o tão responsável grupo espanhol?


Alguém saberá?



O Lago do Campo Grande




Bom, mas no Campo Grande, há coisas boas, também, claro.

O lago e os barcos, por exemplo.


É verdade que os barcos já têm umas boas décadas de serviço, tantas quanta a tinta que já lhes falta, de tanto para ali andar a flutuar.


Mas é bom, remar tranquilamente no lago, no ar morno de uma tarde de Verão.







Desde, naturalmente, que não se olhe à porcaria que bóia naquele imenso caldo de mais do que prováveis coliformes fecais deixados pelos pombinhos numa água quase nunca renovada e quase sempre coberta de imundície.




Num lago onde, alheios ao perigo, alguns incautos continuam, mesmo assim, a refrescar-se, já que nem um simples cartaz os avisa dos perigos mais do que prováveis que a água poluída para eles poderá re
presentar.

( Já agora: e análises à qualidade da água? Que tal, Senhores Vereadores? )



Num cenário tão degradado e degradante, é caso para dizer que só mesmo uma Bianca Castafiore de pedra ainda resiste, e continua a rir-se de se ver tão bela no seu famoso espelho das histórias com que a nossa mocidade se costumava encantar.




Os Jardineiros do Campo Grande



Os jardineiros são, claro está, a força viva que mantém o Campo Grande ainda frequentável.

Obrigado!


Incansáveis, de manhã à noite, a regar, a podar, a afeitar.


Até lhes erigiram um singelo monumento, há uns 30 anos atrás.


Mas o desânimo é tanto, que, como monumento, já pouco significa.


Agora, não passa de mais uma coisa que para ali ficou, como quase tudo o resto, sem destino; sem qualquer cuidado ou manutenção que faça a homenagem perdurar.



Já quanto à consideração que, hoje em dia, os jardineiros merecem, veja-se os estado em que se encontram algumas das "modernas" instalações que lhes foram destinar.

















A parte do Verão que os jardineiros do Campo Grande passam nestes confortáveis contentores, deve ser mesmo de arrasar...







Tudo isto,mesmo nas barbas da Câmara Municipal,
que fica ali a dois passos

das misérias que aqui vos viemos mostrar!




E o resto?  Bem, do resto, ficam as imagens.


Do resto... nem vale a pena falar.


























Este, até tem a bandeira municipal mesmo à porta, orgulhosamente hasteada!
Vejam só!





Mesmo ali em frente, quem mora, quem é?


Alguém que, isso de "Campo Grande"...
talvez nem saiba bem o que é!



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Alguns Links:
Campo Grande na Wikipedia
Campo Grande no FaceBook
Lago do Jardim do Campo Grande("Restos de Colecção")
Piscina Infantil do Campo Grande ("Restos de Colecção")
Jardim do Campo Grande


Nota Importante: este texto deve ser lido tendo em conta a recente redistribuição de atribuições e competências entre a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia, que o autor não conhece em pormenor.   Mas, também, tendo em conta que é com a Câmara que contam as Juntas para se financiar.

1 comentário:

  1. Ao deambular, hoje, pelo Campo Grande - apenas mês e meio decorrido sobre a data em que afixei este artigo -, foi com verdadeiro agrado que constatei que, ao que muita coisa parece indicar, alguém, em algum lugar, decidiu arregaçar as mangas e deitar mãos à obra.
    Assim, e embora grande parte do que escrevi e documentei se mantenha atual, começaram obras no Caleidoscópio - que parecem ir a bom ritmo -; ouvi, dentro do perímetro, ainda fechado, da piscina movimentações que sugerem a existência de trabalhos preparatórios de atividade de construção; a água dos lagos está limpa e cristalina, tendo-a uma pequena tartaruga aproveitado para um banho matinal; e até já lá estão, bem visíveis nas margens do lago grande, placas assinadas pela Câmara Municipal desencorajando os incautos de ali tomar banho.
    Não é caso para felicitações, dado o estado a que deixaram chegar o Campo Grande; mas é, sem dúvida, motivo de júbilo e, também, de esperança. Esperança de que, a breve trecho, as demais anomalias sejam, finalmente, sanadas, com especial urgência para a reativação das instalações sanitárias, a fim de que os passantes não fiquem dependendes de consumir nas estruturas - existentes ou a inaugurar - para a satisfação das mais elementares necessidades fisiológicas.
    Sem querer abusar, aproveitem, talvez, para substituir - ou, pelo menos, pintar - os decrépitos barquinhos, para remover, do antigo parque canino, os dejetos que por lá ficaram, para pôr os chafarizes a fundionar, e para arranjar instalações condignas para os Jardineiros, em lugar daqueles tórridos barracões; e decidam lá, de uma vez, o que fazer da ex-obra de arte que, há tanto tempo, generosamente vem servindo de latrina.
    Mas, sim, é verdade: já é, dentro do possível, muito razoável o que estão a fazer.
    Voltarei.

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