segunda-feira, 25 de setembro de 2017


O JARDIM DAS «JOLAS»





Em parte do espaço outrora correspondente à estação de elétricos do Arco do Cego existe, hoje, um espaço verde denominado Jardim Arco do Cego (e, a fazer fé no que lá diz, não Jardim do Arco do Cego, que as pessoas parecem cada vez mais alérgicas a preposições e suas contrações).

O em tempos aprazível Jardim é delimitado pelas avenidas Duque d'Ávila, dos Defensores de Chaves, João Crisóstomo e de Dona Filipa de Vilhena.



Mas...  não se deixem enganar pela imagem, que é antiga,
e mostra algo bem diferente daquilo que, hoje, lá podemos encontrar.



Para quem não sabe, vem a propósito desta história começar por dizer que, aos mais agradáveis fins de tarde e princípios da noite de anos passados - principalmente na Primavera e Verão - o Jardim se transformava num gigantesco bufete ao ar livre, onde centenas de pessoas entornavam, uns atrás dos outros, copos de cerveja fornecidos, mediante um esquema de desconto por cartão, por duas ditas "cafetarias" da Rua de Dona Filipa de Vilhena.

Mais de cem barris ali eram despejados diariamente e, segundo relatos de residentes na zona, ao princípio da noite os excessos eram de tal ordem que não era raro ver por ali ambulâncias do INEM, chamadas para assistir pessoas em coma alcoólico.

De facto, o cartão com o nome de uma marca de cidra e o cartão "11 Jolas", além de, ao que parece, contribuírem para deixar boa parte daquela boa gente num estado evidentemente lastimável, inundavam a área e as residências que a circundam de uma inimaginável barulheira até altas horas do serão, barulheira que se espraiava pelas redondezas, quando dezenas de indivíduos completamente "emborrachados" se dirigiam, finalmente, para suas casas, berrando os excrementos produzidos por cérebros completamente embrutecidos pela bebida descontrolada, perante a inércia de autoridades que, ou nem lá estavam, ou parecia não estarem.


Outro impacto extremamente negativo daquele animado "convívio" era a javardice em que o Jardim todos os dias ficava, com latas, copos e porcaria da mais diversa espalhada pelo relvado e áreas circundantes.

Durante anos, eram os funcionários encarregados da limpeza pública que tinham de limpar aquilo tudo.
Dizem-me, porém, que, entretanto, terá a Junta de Freguesia chegado a acordo com os proprietários da "cafetarias" para passarem eles a suportar os encargos.  Se assim foi, ou não, não sei.

A escandaleira era tamanha que até a nossa anquilosada Câmara Municipal lá acabou, ao fim de não sei quantos Verões, por entender que, de facto, aquilo era uma vergonha e não podia assim ficar.

Mas...  como resolver o problema sem cair na desgraça - leia-se "perder votos" - daquela gente toda?  Porque isto de fazer o que já não se pode disfarçar que é, mesmo, preciso fazer é muito lindo mas... se vamos assim, de qualquer maneira... enfim, sabe-se lá, não é verdade?

A solução - brilhante - parece, então, ter sido, muito simplesmente...  fechar o Jardim.  Para obras de "remodelação".  Por um prazo de três meses e, mesmo, prometendo "ser breves.
No entanto, como, se repararem bem, quase sempre acontece com estes cartazes da Câmara, escrevem lá o prazo, é certo...  mas não a data em que começa a contar!
O que é ótimo, claro, porque, não havendo data de início, nunca algum prazo lhes será possível, pelo menos aos nossos olhos, ultrapassar!

Certamente que o Leitor tem, aí mesmo perto de sua casa, um qualquer cartaz deste tipo, a anunciar uma destas importantíssimas obras de cosmética que por aí proliferam, neste tempo eleitoral.

Ora vá lá espreitar:  encontrou o prazo, não encontrou?   E... a data em que começou a contar
Pois...



Notem bem que não quero, com isto, dizer que o prazo para as obras no "Jardim das Jolas" já esteja ultrapassado.  Mas dizem-me que os três meses, se não passaram já... devem estar prestes a passar.

Um trabalhador que por lá encontrei garantiu-me, aliás, que o Jardim seria reaberto "lá para o fim de Setembro".  Este Setembro.

No entanto, vejam bem o que, nos últimos dias, por lá encontrei (a cima e ao lado), e (abaixo) a "evolução" deste então...




Afinal, no "fim do mês" já nós estamos;  e o chão continua por acabar, a relva por aparar e replantar, e os graffitti por limpar.

Fora o resto, é claro. está...




Outra questão premente, que a "remodelação" não acautelou é o facto de, no Jardim passearem, ao longo de todos os dias, dezenas de cães.


Reservar, assim, uma parte do relvado para um parque a eles destinado teria, naturalmente, a virtualidade de tornar mais agradável o passeio e facilitar a tarefa dos donos e, simultaneamente, reduziria, em alguma medida, o espaço utilizado pelos bebedores de jolas que por ali deambulam.

Como é possível que ninguém disto se tenha lembrado?

Ou que não se tenha assim considerado?

Não sabem?

Pois é bem simples:  projetos feitos, como sempre, em gabinetes distantes,
sem o prévio cuidado de os enriquecer com a sensatez de um pequeno trabalho de campo.


O que mais poderá ser?



Mas esperem, que há mais.

Como vai sendo habitual na gestão da Câmara Municipal que temos, esta brilhante solução para o problema do "Jardim das Jolas" foi, também, uma decisão atabalhoada e tomada em cima do joelho.

Isto, bem o demonstra o facto de, para esta altura, ter estado agendado, pelo, menos um evento para este espaço, mais especificamente "A Arte da Big Band", no âmbito de um dos "Festivais" que caracteriza a rentrée política da Edilidade - "Lisboa na Rua 2017" -, a ter lugar pelas 19h da Sexta-feira 1 de Setembro...  e que acabou por se realizar no Campo Grande, já que o Jardim Casa da Moeda estava fechado para obras.  E está.

Vê-se bem que, quando o catálogo geral foi editado, ainda o evento estava previsto para o Arco do Cego.

Eis senão quando alguém, à última hora, resolve fechar o Jardim;  e, toca de correr à tipografia para ver se, pelo menos no folheto simplificado que foi editado depois, ainda se iria a tempo de alterar.

                                              


Apenas mais uma camarária trapalhada, enfim...

E... depois das obras?   E depois das eleições?

*) Quando o "Jardim das Jolas" reabrir, como será?
*) Que vai a Câmara fazer para acabar com o que na relva acaba vomitado?
*) Para reduzir a barulheira, os palavrões cuspidos alto e a bom som?
*) Para não desviar ambulâncias da assistência a quem delas necessita sem ter feito por isso?
*) Para quando legislação que proíba o consumo e bebidas na via pública?
*) Para quando a fiscalização das autoridades e a detenção de indivíduos que, na via pública, se encontrem em estado de embriaguez?


Sem rei nem roque, que Cidade é esta, afinal??


Até lá, vamos passando e olhando para aquela miséria.
E tentando adivinhar quando foi que, afinal, a contagem do prazo começou.

E quando irá acabar...



À Vossa!   Hips!

Até breve, no
Jardim das Jolas!


Wish you were beer too!



Este local situa-se na área geográfica de intervenção da
Junta de Freguesia de Avenidas Novas.




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Alguns Links:

Manifestação contra o aumento do preço da Jola no Arco do Cego está no Facebook
Arco do Cego - O Jardim da Cerveja que É Odiado pelos Moradores (IOnline)
O Jardim do Arco do Cego é o Novo Bairro Alto dos Estudantes (Diário de Notícias)
Arco do Cego Vai Ser Reformulado Devido ao Ajuntamento Massivo de Estudantes (Shifter)
Moradores Continuam a Queixar-se dos Ajuntamentos no Jardim do Arco do Cego (O Corvo)
Jardim do Arco do Cego (CML)
Jardim do Arco do Cego (Wikipedia)

1 comentário:

  1. O Jardim das Jolas lá acabou por reabrir, há meia dúzia de dias. Com parque para cães e tudo !
    Que pena terem sido tão esticadinhos, os tais três meses !

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