segunda-feira, 5 de setembro de 2016


QUINTA DOS PADRES



Em Mavila, adjacente ao Parque Hortícola Municipal instalado na Quinta das Flores - antiga Quinta da Cadeta -, e mesmo ao pé das instalações da Assistência Médica Internacional ( AMI ), encontramos o que resta da degradada Quinta dos Padres,
na Rua José do Patrocínio.

Como diz a placa, ali "VIVE GENTE".

Mas já não qualquer dos antigos proprietários,
já que as casas se encontram totalmente consumidas pelo fogo, arruinadas.
Eleições Autárquicas Lisboa
















As barracas proliferam, junto às arruinadas construções,
tendo como fundo as modernas casas do Bairro da Quinta do Chalé.

Ora, o realojamento da Quinta do Chalé ocorreu há mais de trinta anos.

Mas por que razão ficaram, então, na Quinta dos Padres - que, como se vê, lhe é adjacente - estas ruínas ladeadas por barracas, para não falar naquela espécie de condomínio clandestinamente instalado no que foram, provavelmente, as antigas instalações de serviço da Quinta ?
Eleições Autárquicas



No meio de nada, ali "VIVE GENTE", nas condições que se vê, no que a Câmara Municipal considera uma "zona degradada", pelos vistos ainda sem solução à vista, seja quanto aos imóveis, seja, sobretudo, quanto ao realojamento de meia dúzia de famílias que, até ver... por ali ficou.















Já nada estaria assim, se rendesse plantar aqui mais um hostel...

Ou um hotel, cheio de tuk-tuks à porta, quem sabe.

Mas não.  Duvido que, um ou outro, tivessem muita clientela, por estes sítios.
Um centro comercial, talvez?
Com tanta construção nova à volta...  por que não?



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Alguns Links:
História de Marvila (Junta de Freguesia de Marvila)
Bairro da Quinta do Chalé (GEBALIS)

domingo, 4 de setembro de 2016


Insólito: HISTÓRIA DE AUTISMO E PREPOTÊNCIA


Avenida Magalhães Lima


Casario maioritariamente de um ou dois andares, baixa densidade populacional,
no Bairro do Arco do Cego, junto à Escola Secundária de Dona Filipa de Lencastre.

As pessoas que para lá foram morar tiveram, durante largos anos, onde parar o seu automóvel, no parque em espinha adjacente aos passeios, de um e do outro lado da rua.

Até que...  algum iluminado daqueles que têm um pó aos automóveis que nem os podem ver - exceto ao carrinho deles, evidentemente, que comodamente estacionam em lugar privativo da vivenda ou do moderno edifício com garagens - entendeu por bem reduzir drasticamente a quantidade de lugares de estacionamento disponíveis, eliminando o parque em espinha e substituindo-o por um parque longitudinal.

Fê-lo, porém, no pressuposto de que a medida - naturalmente lesiva do direito dos residentes ao estacionamento - seria passivamente aceite, sujeitando-se os munícipes, como, perante tão importantes e municipais desígnios, não poderia deixar de acontecer.

De tão segura que estava a nossa Edilidade da cega obediência que lhe é devida, nem se deu ao trabalho de eliminar a faixa adjacente ao passeio, na qual estiveram, em tempos, desenhados os lugares em espinha;  e, como ia ficar para sempre assim, nem mandou pintar os lugares:  marcaram-nos em sólida pedra branca !

É claro que só podia dar asneira:  enquanto alguns - muito poucos - lá iam estacionando nos limites das novas marcas longitudinais, outros, desesperados por um lugar, continuaram a para o carro no mesmo sítio que antes




Agora, imaginem a confusão dos fiscais da EMEL, e o desespero de quem quantas vezes não terá, estacionando em espinha, ficado quase bloqueado pelos automobilistas "cumpridores".



Mas então, qual a solução ?

Bem, como aquilo era uma vergonha e não podia ficar assim, ao fim de muito tempo a sorte parece ter acabado por vir de um daqueles projetos muito bem publicitados, em que se evidencia muito os valores e os prazos de execução, mas...  se omite, convenientemente, o dia em que eles começam a contar, não vá alguém lembrar-se de se por a fazer contas que não convém fazer...







Toca, então, de arranjar umas quantas pedrinhas cinzentas...






... pegar na serra circular e rebentar com as pedras brancas, a ver se a gente se esquecia de que alguma vez lá tinham estado;  é que estas inutilidades custam dinheiro aos munícipes, não é verdade?








Depois, foi tirar o pó que ficou, lavar aquilo tudo e...  pintar, novamente, o parque em espinha, como não podia deixar de ser.


Agora digam lá:
  • não lembra tudo isto a história do estacionamento que, no chamado Eixo Central, ia ser ser sacrificado em favor de duas ciclovias que meia dúzia de gatos pingados iria utilizar?
  • e não poderia ter tudo isto sido evitado, não fora a arrogância prepotente de uns quantos líricos que parecem ter perdido todo o contacto com a realidade do quotidiano da nossa Cidade ?
  • quem irá responder pela asneira?  Alguém?  Ou "ah, foi sem querer!...!  Desculpem lá!"

Dá que pensar...
(imagens obtidas entre 19.05.2016 e 09.09.2016)


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segunda-feira, 25 de julho de 2016


BAIRRO DE SÃO JOÃO DE BRITO



Uma indefinição legal de mais de 40 anos, em solo municipal, gera
mais uma situação insólita nesta nossa Lisboa!

Imagine concidadãos nossos que, junto à Avenida do Brasil,

não são donos dos terrenos, mas apenas das casas.

Por isso

pagam, à CML, renda e IMI, simultaneamente!


Como se não bastasse,

não podem vender, nem sequer subarrendar


Quando relacionamos São João de Brito com Lisboa, ocorrem-nos, antes de mais, ao espírito as imagens da bela da igreja de Morais Palmeiro...


Eleições Autárquicas Lisboa

...da Avenida de Dom Rodrigo da Cunha...


Eleições Autárquicas 
...ou do verdadeiro centro comercial que encontramos em ambos os passeios do setor Este da cosmopolita Avenida da Igreja.


Bem, mas este não é o Bairro de São João de Brito.

O Bairro de São João de Brito é...
ESTE!

Construído pelos próprios moradores em terrenos da Quinta do Carrapato - à Estrada da Portela - cedidos pela Câmara Municipal de Lisboa, foi lançado nos anos setenta para alojar pessoas regressadas do antigo Ultramar.






No entanto, além de terem tido de tratar da implementação das infra-estruturas e de construir as próprias casas, os habitantes viram-se obrigados a assegurar, também, a pavimentação das ruas - hoje completamente degradada -, a maior parte das quais, decorridos mais de 40 anos, ainda nem nome tem.




As ruas não são tratadas, nem espontaneamente limpas pela CML
, mas pelos próprios moradores - cerca de 400 -, que se encarregam, cada um, da manutenção do espaço adjacente à própria casa.  A limpeza urbana só aparece esporadicamente, e após insistentes reclamações.

"Como uma verruga na Mona Lisa", a Câmara de Lisboa prima, aqui, pela ausência.
Vale, assim, apenas a solidariedade e sentido de entre-ajuda dos moradores do Bairro, que não querem sair de um espaço sossegado onde todos se conhecem bem.



O Bairro de São João de Brito nunca foi requalificado, e existe no quadro de uma incompreensível indefinição legal, que se reveste de aspetos insólitos e caricatos, como pagarem à CML, simultaneamente, renda e IMI, ou não poderem vender o direito de ocupação do solo, ou, sequer, subarrendar a casa.





O mais que a CML parece ter feito foi anunciar, há mais de dez anos, que o Bairro iria ser demolido por se encontrar, desde a década de 40, na zona de servidão do quase adjacente aeroporto Humberto Delgado.  Mas isto foi há mais de dez anos, e, até ver...

Como única estrutura de apoio, conta com o hoje misérrimo e vergonhoso Parque Desportivo Municipal de São João de Brito, de que já aqui falei:
nem uma pastelaria que seja, num esquadra de polícia, nem centro de saúde, nem centro social.



A menos que se considere esta desocupada carrinha da GNR, que, meia oculta pelo mato, por lá encontrei, uma estrutura policial...
Entretanto a degradação agrava-se, inevitavelmente!
As barracas, proliferam;  e, segundo me dizem, o Bairro é, hoje frequentado por toxicodependentes -
e, até, talvez, por quem os abastece -, tudo perante a inércia municipal e policial.

A Câmara considera-o "área urbana de génese ilegal" - e, de facto, assim parece... - na qual não pode existir qualquer construção.

Mas fica, então, a dúvida:
 - se os terrenos não foram cedidos para construir casas, foram cedidos...  para quê?

Isto, como todas as iniciativas camarária, faz, claro está, todo o sentido.

Para quem, não sei.

Ou anda, mesmo, tudo doido,
nesta nossa Terra de Santo António??


Por difícil que seja de acreditar, há, agora, quem diga que o destino do Bairro será a transformação em espaços verdes, continuando a chamada Mata de Alvalade.
Mas, tratando-se de tão apetecíveis terrenos, mesmo ali ao pé do Aeroporto e da Segunda Circular ...  acreditamos?
Ou não?
Ou terei entendido mal, e o que se pretende é, precisamente, o contrário:  transformar a Mata e o Bairro numa urbanização de luxo, esquecidos os pruridos com a servidão aeroportuária?

Como responderia, talvez, alguém da nossa Câmara:
If you ask me for a straight answer then I shall say that, as far as we can see, looking at it by an large, taking one time with another, in terms of the average of departments, then in the final analysis it is probably true to say that at the end of the day, in general terms, you would probably find that, not to put too fine a point on it, there probably wasn´t very much in it one way or the other..
"Yes, Minister" - "Sir Humphrey Appleby"



Mas, qual será,
num caso ou no outro,

o destino destes resistentes mas sempre ignorados e desprezados moradores?






Certo, apenas parece ser que, de uma forma ou de outra, com um objetivo ou com outro, o Bairro de São João de Brito, acabará por desaparecer, com ou sem o "sonho missionário de chegar a todos"..


Lá, onde
nem uma improvisada capela há...

...aqui tão perto de nós!

Aqui ficam, pois, para memória futura, algumas imagens atuais, obtidas, como as restantes,
entre 19 de Maio e 19 de Junho de 2016.





É este o verdadeiro, o genuíno Bairro de São João de Brito.

À Estrada da Portela.



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Alguns Links, fontes principais do texto:
SIC Notícias
CML vai demolir bairro de São João de Brito e das Calvanas
Jornal da Praceta - Bairro de São João de Brito

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